Siga-nos nas redes sociais!

MICROAGULHAMENTO COMO UM RECURSO PROMISSOR, EFICAZ E SEGURO NO TRATAMENTO DE ALOPECIA ANDROGENÉTICA

Roller contendo 192 agulhas.
   O microagulhamento é uma técnica que utiliza um
aparato composto basicamente de duas partes, um cabo e um rolo de polietileno, denominado
de
roller. O rolo é cravejado de
agulhas que podem variar em número (marcas nacionais e importadas
frequentemente apresentam 75, 192, 200 ou 540 agulhas), tamanho (de 0,25 mm a 3
mm), formato e composição. Esta técnica, também chamada de indução percutânea
de colágeno, apresenta diversas indicações, sendo as principais a flacidez
cutânea, cicatrizes de acne, estrias e alopecias não cicatriciais, mais
especificamente a alopecia androgenética (AAG).
  Um grupo de pesquisadores da Índia publicou neste
ano (2015) um artigo muito interessante apresentando o resultado da técnica de
microagulhamento em quatro homens (28, 30, 35 e 40 anos) com AAG (nível III ou
V na escala de Hamilton Norwood) que estavam em tratamento com finasterida por
via oral e minoxidil 5% por via tópica (duração variável, de 2 a 5 anos). 
   Os quatro pacientes relataram que não houve piora em
seus respectivos estágios de AAG com a terapia medicamentosa, no entanto eles
não apresentaram crescimento de cabelo que lhes conferisse cobertura cosmética
do couro cabeludo. Sendo assim, estes quatro pacientes passaram por um total de
15 sessões de microagulhamento (tamanho de agulha = 1,5 mm) ao longo de seis
meses, sendo as quatro primeiras sessões com intervalo semanal e as demais em
intervalos quinzenais. O procedimento foi realizado após antissepsia do couro
cabeludo. O roller foi deslizado sobre a superfície do couro cabeludo em direções
longitudinais, verticais e diagonais, até que eritema fosse notado. Cada sessão
levou cerca de 20-25 minutos. A terapia medicamentosa foi mantida durante e
após o tratamento com o microagulhamento. Os pacientes foram acompanhados por
18 meses após o procedimento para avaliar a sustentabilidade da resposta.
   Todos os pacientes apresentaram uma resposta de crescimento
capilar moderadamente aumentado ou fortemente aumentado, perceptível após 8 a
10 sessões, o que corresponde de 3 a 4 meses de tratamento. Os resultados
obtidos foram sustentados após 18 meses da finalização do procedimento.
   A pergunta que não quer calar é, qual é a base
fisiológica que explica o estímulo de crescimento capilar com a técnica de
microagulhamento? Pois bem, lá vai a resposta que temos até então:
 * Ao ferir a pele através de milhares de
microperfurações, a mesma reage no intento de regenerar-se. Como ocorre
extravasamento de sangue em nível dérmico (que pode ser visível na superfície da
pele) ocorre a ativação do sistema plaquetário para que ocorra coagulação e
parada do sangramento. As plaquetas recrutadas para o local liberam fatores de crescimento que, por sua vez, estimulam os queratinócitos e
fibroblastos e, consequentemente, o crescimento capilar.
 * Além disso, o microagulhamento é capaz de induzir
a super-expressão de genes que gerarão substâncias e/ou mediadores relacionados
com o crescimento do cabelo, como o fator de crescimento do endotélio vascular
(VEGF), B-catenina, Wnt3 e Wnt10.
  É importante lembrar que quem determina o tamanho
máximo das agulhas do roller que cada profissional pode usar é o seu conselho.
Infelizmente ainda não há conselho formado para os profissionais terapeutas
capilares e visagistas, tampouco para os tecnólogos em estética e cosmética.
Convencionou-se, assim, que estes profissionais usem os rollers com agulhas de
até 0,5 mm de tamanho, pois estes tem atuação a nível epidérmico como promotores
da permeação de ativos cosméticos adicionados imediatamente após o procedimento.
É muita história para pouco tempo. Certamente
falaremos mais sobre a técnica por aqui. 
Até a próxima!
Paciente de 40 anos com alopecia 
androgenética nível
III na escala
 de Hamilton-Norwood.
O mesmo paciente da foto acima após 1 mês 
(foto a, após 4 sessões), 3 meses (foto b, após 8 
sessões), 6 meses  (foto c, após 15 sessões) de 
tratamento com microagulhamento.
Fonte: Indian J Dermatol. 2015 May-Jun; 60(3): 260–263.
Profa. Tatiele Katzer
Farmacêutica (CRF-RS 14858)
Doutoranda em Nanotecnologia Farmacêutica (UFSM-RS)
Mestre em Ciências Farmacêuticas (UFRGS-RS)
Professora do curso de Estética e Cosmética da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC-RS)
Professora de cursos de pós-graduação na área de Cosmetologia e Tricologia (ABT, IESA, UNISC) 



www.ademirjr.com.br
+ Mais posts