A creatina, amplamente reconhecida por seus benefícios no desempenho atlético, emerge como um composto essencial para a saúde capilar, tanto em aplicações tópicas quanto orais. Sua atuação está diretamente relacionada ao metabolismo energético das células dos folículos pilosos, cuja alta demanda energética, especialmente durante a fase anágena — período de crescimento ativo do cabelo —, depende da produção e distribuição eficiente de ATP (Shin et al., 2007). Ao otimizar esse processo, a creatina contribui para um ciclo capilar mais saudável e prolongado.
Estudos indicam que a aplicação tópica de creatina fortalece a queratina — proteína estrutural fundamental do cabelo —, tornando os fios mais resistentes à quebra e aos danos térmicos e químicos. Isso ocorre porque a creatina penetra na cutícula capilar, restaurando áreas danificadas e aumentando a coesão das camadas de queratina, o que resulta em cabelos mais fortes, brilhantes e macios. Em paralelo, a suplementação oral de creatina tem demonstrado benefícios em pessoas com queda de cabelo associada ao estresse e ao envelhecimento, devido ao seu papel na oxigenação e nutrição dos folículos pilosos (Kim et al., 2011; Antonio et al., 2021).
Do ponto de vista bioquímico, a creatina atua como um reservatório de fosfatos de alta energia, fornecendo rapidamente ATP quando necessário. Essa função é crucial nos folículos pilosos, que apresentam intensa atividade metabólica durante o crescimento dos fios. A presença da creatina quinase no tecido capilar, conforme evidenciado por Shin et al. (2007), confirma a importância desse composto na manutenção da energia celular.
Embora um estudo anterior (van der Merwe et al., 2009) tenha sugerido uma possível ligação entre a suplementação de creatina e o aumento da di-hidrotestosterona (DHT) — hormônio associado à queda capilar em indivíduos geneticamente predispostos —, revisões científicas subsequentes não encontraram evidências de que a creatina cause alterações hormonais significativas ou contribua para a perda de cabelo (Antonio et al., 2021). O aumento temporário de DHT observado foi pequeno, permaneceu dentro dos limites clínicos normais e não resultou em queda capilar nos participantes do estudo.
Além dos benefícios capilares, a creatina possui um perfil de segurança amplamente comprovado, mesmo em suplementações prolongadas e em doses diárias de 3 a 5 gramas (Kim et al., 2011). Estudos de longo prazo não identificaram efeitos adversos significativos em órgãos vitais, como fígado e rins, desmistificando alegações infundadas sobre sua toxicidade.
Portanto, com base nas evidências atuais, a creatina representa uma abordagem inovadora e segura para promover fios mais saudáveis, fortes e resistentes, consolidando seu papel como um aliado essencial nos cuidados capilares modernos.
Referências
- Shin, J.-B., et al. (2007). Hair Bundles Are Specialized for ATP Delivery via Creatine Kinase. Neuron, 53(3), 371–386.
- Kim, H. J., et al. (2011). Studies on the Safety of Creatine Supplementation. Amino Acids, 40, 1409–1418.
- Antonio, J., et al. (2021). Common Questions and Misconceptions About Creatine Supplementation: What Does the Scientific Evidence Really Show? Journal of the International Society of Sports Nutrition, 18:13.
- van der Merwe, J., et al. (2009). Three Weeks of Creatine Monohydrate Supplementation Affects Dihydrotestosterone to Testosterone Ratio in College-Aged Rugby Players. Clinical Journal of Sport Medicine, 19(5), 399–404.