O naltrexone em baixas doses (LDN) tem emergido como uma alternativa terapêutica para diversas condições dermatológicas inflamatórias e autoimunes. Originalmente aprovado para o tratamento de transtornos por uso de opioides e álcool, quando administrado em doses reduzidas (1-5 mg/dia), ele apresenta um mecanismo de ação distinto. Sua interação com receptores opioides promove um efeito rebote na produção de opioides endógenos e inibe receptores Toll-like 4, reduzindo a liberação de citocinas pró-inflamatórias. Essa ação anti-inflamatória tem despertado interesse em sua aplicação no manejo de doenças cutâneas resistentes ao tratamento convencional.
O estudo revisado compila evidências recentes sobre a eficácia do LDN em condições como líquen plano pilar (LPP) e psoríase
Para líquen plano pilar e alopecia fibrosante frontal, o LDN foi testado em diversos estudos. Uma análise retrospectiva de 52 pacientes revelou melhora significativa na inflamação do couro cabeludo e na redução do eritema perifolicular. No entanto, um ensaio clínico randomizado não encontrou diferenças estatisticamente relevantes no escore de atividade da doença entre os grupos tratados com LDN e placebo, indicando que seu papel pode ser limitado ao uso adjuvante.
Na psoríase, o LDN demonstrou efeitos positivos em um estudo clínico com 71 pacientes, reduzindo significativamente o escore PASI (Psoriasis Area and Severity Index) e a área corporal acometida. Os efeitos adversos foram leves e transitórios, incluindo cefaleia e insônia. Apesar de a psoríase já contar com terapias altamente eficazes, o LDN pode representar uma alternativa acessível para casos onde o custo ou acesso a tratamentos biológicos seja uma barreira.
Além das dermatoses inflamatórias, o artigo traz um dado interessante sobre distúrbios compulsivos de manipulação da pele, como acne excoriada e prurigo excoriado. Há relatos de pacientes que, após poucas semanas de uso do LDN, reduziram drasticamente sua necessidade compulsiva de manipular a pele. Esse achado sugere um possível efeito do LDN no controle de impulsos, abrindo novas possibilidades de investigação para seu uso psiquiátrico e dermatológico combinado.
No geral, o LDN se destaca por seu perfil de segurança favorável, baixo custo e potencial terapêutico em condições dermatológicas desafiadoras. No entanto, sua eficácia permanece controversa para algumas doenças, e ainda são necessários ensaios clínicos maiores e melhor controlados para estabelecer seu papel definitivo na prática clínica. O artigo reforça que dermatologistas devem considerar o LDN como uma ferramenta terapêutica adicional para quadros inflamatórios refratários e continuar explorando novas aplicações.
Referência:
Menta N, Vidal SI, Friedman A. An Update on the Off-Label Uses of Low-Dose Naltrexone in Dermatology. J Drugs Dermatol. 2024;23(12):1127-1132. doi:10.36849/JDD.2024.NVRN1224.