A alopecia feminina de padrão (FPHL) é a forma mais comum de perda capilar não cicatricial em mulheres, afetando aproximadamente 50% da população feminina ao longo da vida. O estudo analisado traz uma avaliação detalhada das diferenças clínicas e epidemiológicas entre os três principais subtipos de FPHL: Ludwig, Olsen e Hamilton-Norwood. A pesquisa, realizada em um centro de referência na Tailândia, envolveu 519 mulheres diagnosticadas com FPHL e revelou diferenças importantes entre os padrões da condição, que vão além da distribuição da rarefação capilar e tocam em aspectos fundamentais da saúde dessas pacientes.
O subtipo Ludwig, o mais prevalente no estudo (51,1%), caracteriza-se por uma rarefação difusa no topo da cabeça, preservando a linha frontal do cabelo. Já o padrão Olsen, encontrado em 32,9% dos casos, exibe um afinamento do couro cabeludo central que avança na linha frontal, formando um desenho semelhante a uma árvore de Natal. Por fim, o Hamilton-Norwood, menos frequente (16%), manifesta-se com uma recessão bitemporal da linha capilar, semelhante ao padrão masculino.
Entre os achados mais relevantes, destaca-se a associação do padrão Hamilton-Norwood com o início precoce da alopecia e com a síndrome dos ovários policísticos (SOP), uma condição metabólica e endócrina caracterizada por hiperandrogenismo e disfunção ovulatória. Mulheres com esse subtipo de FPHL tiveram uma chance aproximadamente duas vezes maior de apresentarem SOP do que aquelas com os padrões Ludwig e Olsen. Essa relação levanta questões importantes sobre o papel dos hormônios androgênicos na patogênese da alopecia feminina e reforça a necessidade de investigar mais profundamente as interações entre metabolismo, genética e saúde capilar.
Outro ponto de destaque do estudo foi a relação entre os subtipos de FPHL e comorbidades metabólicas. Enquanto o padrão Hamilton-Norwood teve menor prevalência de sobrepeso e diabetes tipo 2, os padrões Ludwig e Olsen apresentaram maior incidência dessas condições, sugerindo que fatores hormonais e metabólicos distintos possam influenciar a manifestação clínica da alopecia feminina. A menor incidência de diabetes no grupo Hamilton-Norwood pode indicar uma conexão entre resistência insulínica, metabolismo dos andrógenos e desenvolvimento da rarefação capilar.
A pesquisa ainda apontou que 74,5% das pacientes relataram histórico familiar de alopecia androgenética, reforçando a influência genética na FPHL. Curiosamente, o subtipo Hamilton-Norwood foi o único no qual a herança paterna foi mais prevalente do que a materna, o que sugere um padrão de transmissão diferenciado nesse grupo. Além disso, a associação entre o padrão Hamilton-Norwood e maior incidência de seborréia e acne pode indicar um papel mais pronunciado dos andrógenos em sua fisiopatologia, fortalecendo a hipótese de que esse padrão esteja mais intimamente ligado ao hiperandrogenismo.
O estudo levanta questões fundamentais sobre a necessidade de abordagens individualizadas no diagnóstico e tratamento da alopecia feminina. As diferenças entre os subtipos de FPHL não são meramente estéticas, mas refletem perfis clínicos e metabólicos distintos, que podem impactar a saúde das pacientes de maneira ampla. Além disso, destaca-se a importância de avaliar a presença de comorbidades, especialmente em mulheres com o subtipo Hamilton-Norwood, devido à forte associação com SOP.
Diante dessas constatações, fica evidente que a alopecia feminina não deve ser tratada como uma condição homogênea. O reconhecimento das nuances entre seus subtipos pode ajudar os profissionais de saúde a adotarem estratégias mais eficazes de tratamento e acompanhamento, incluindo a triagem para distúrbios metabólicos e hormonais em determinados grupos de pacientes. Por fim, a necessidade de mais pesquisas sobre a interseção entre metabolismo, genética e alopecia reforça a importância da medicina personalizada na dermatologia capilar.
Referência:
Sakpuwadol N, Tejapira K, Kositkuljorn C, Pomsoong C, Suchonwanit P. Differences in demographic and clinical characteristics among subtypes of female pattern hair loss. Clin Cosmet Investig Dermatol. 2023;16:2073-2082. doi:10.2147/CCID.S422335.