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Redes Sociais e Tratamentos Naturais para Queda de Cabelo: Ciência ou Desinformação?

A busca por soluções naturais para a queda de cabelo nunca foi tão intensa. Com o crescimento das redes sociais, milhões de pessoas se deparam com recomendações para tratar a alopecia usando alecrim, água de arroz, suco de cebola e gel de alho, entre outros métodos caseiros. A facilidade de acesso à informação, aliada à dificuldade de conseguir consultas dermatológicas rápidas, faz com que muitos pacientes experimentem esses tratamentos antes mesmo de buscar ajuda especializada. Mas será que essas alternativas naturais têm fundamento científico?

Este estudo analisou as evidências científicas por trás dos principais tratamentos naturais promovidos nas redes sociais e comparou os achados com os tratamentos tricológicos convencionais. A revisão destacou que, embora alguns ingredientes possuam propriedades antimicrobianas, anti-inflamatórias e vasodilatadoras, a maioria das recomendações carece de comprovação clínica robusta.

Entre os tratamentos analisados, o óleo de alecrim se destacou por ter um estudo clínico comparativo com o minoxidil 2%. Em um ensaio randomizado de 2015 com 100 pacientes, ambos os tratamentos apresentaram resultados semelhantes na contagem de fios após seis meses de uso, sugerindo que o alecrim pode ter um papel na melhora da microcirculação capilar. No entanto, a ausência de mais estudos padronizados e em larga escala impede que o óleo de alecrim seja considerado um substituto definitivo para o minoxidil.

A água de arroz, amplamente utilizada em práticas capilares asiáticas, mostrou potencial em estudos laboratoriais. A presença de antioxidantes e componentes que estimulam o crescimento capilar foi observada em modelos celulares, mas ainda não há ensaios clínicos que comprovem seu efeito em humanos. O mesmo ocorre com o suco de cebola, que demonstrou eficácia em um estudo pequeno para alopecia areata, mas sem padronização de formulação e sem comparação com tratamentos tradicionais.

Já o gel de alho, rico em compostos organossulfurados, apresentou benefícios em um estudo clínico onde foi utilizado em conjunto com betametasona para alopecia areata. Os pacientes que usaram a combinação tiveram melhores resultados do que aqueles que usaram apenas o corticoide. No entanto, o risco de dermatite de contato e reações alérgicas torna sua aplicação delicada, reforçando a necessidade de acompanhamento médico.

O estudo também destacou um problema crescente: a desinformação sobre alopecia nas redes sociais. Uma análise revelou que apenas 4% dos conteúdos no Instagram e 10% no TikTok são produzidos por médicos, tornando a disseminação de informações equivocadas uma preocupação relevante. Além disso, muitos vídeos não trazem dosagens, tempo de uso ou riscos dos tratamentos naturais, o que pode levar pacientes a adiarem terapias eficazes ou até mesmo desenvolverem irritações e alergias.

Os pesquisadores concluíram que, embora algumas alternativas naturais possuam mecanismos biológicos plausíveis, a maioria ainda carece de validação científica robusta. O estudo reforça a importância do papel do dermatologista em orientar os pacientes para que evitem tratamentos ineficazes e foquem em terapias baseadas em evidências.

A influência das redes sociais sobre o comportamento dos pacientes é inegável, e a responsabilidade dos profissionais de saúde é cada vez maior. A abordagem científica, aliada a uma comunicação clara e acessível, é essencial para garantir que as pessoas recebam informações confiáveis e tomem decisões seguras sobre a saúde capilar.

Referência:

Azhar AF. The Evidence Behind Topical Hair Loss Remedies on TikTok. Cutis. 2023;111:E25-E26.

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